“Nunca lhe dão um sonho sem dar-lhe também o poder de realizá-lo”
Richard Bach
Ontem, na universidade em que irei estudar, teve início a Semana do Calouro. Eu, como toda caloura empolgada (pleonasmo?), compareci. E devo dizer que minha empolgação cresceu ainda mais. A programação foi montada para que nos sentíssemos acolhidos e bem recebidos no novo local.
Durante a palestra da coordenadora pedagógica, várias coisas passaram pela minha cabeça. E era exatamente isso que ela queria: que pensássemos. Ela falou de símbolos, heróis, esperança… E falou muito em sonhos.
Passado algum tempo, já na volta para casa, desci do ônibus e, enquanto caminhava, comecei a lembrar de há quanto tempo eu espero ansiosa pelo início da Universidade. Na verdade, eu sempre quis ser jornalista. Só que quando eu era criança, não sabia o nome que tal profissão tinha. Mas desde a oitava série, quando minha professora de Redação me disse que eu deveria me informar sobre a profissão, minha decisão foi tomada de vez.
Então, a minha paixão agora tinha um nome: jornalismo. Muitos estranhavam ver em uma garota tão nova uma certeza como a que eu tinha. Afinal de contas, não é todo mundo que aos 14 anos já escolheu o que quer para o seu futuro profissional. O tempo passou, o gosto pela leitura aumentou e a minha escrita foi tomando forma. Quando chegou a época do vestibular, minhas amigas invejavam a certeza que eu tinha.
Mas as dúvidas, é claro, também existiam. Eram várias, e entre elas estavam as mais comuns aos vestibulandos, como por exemplo: “Será que eu vou conseguir emprego? Será que vão me pagar bem? E será que eu vou gostar mesmo do curso?”. Pesquisei, li e fui atrás de me informar. O que eu não queria era passar no vestibular e sentir que aquilo não era a realização do meu sonho.
No dia da prova, fiz de tudo para me manter calma. A minha maior preocupação, como sempre, era com a redação. Minha mania de perfeição acabou me atrapalhando e eu fiz uns rabiscos a mais. Mas nada comprometedor, creio eu.
Agora, era esperar pelo resultado. Nunca me preocupei em relação a qual colocação eu ficaria; depois do primeiro e antes do último estava ótimo para mim. E então, num dia quente de novembro, foi divulgado o listão. Aqui no Pará existe todo um circo armado em volta do resultado. Várias rádios divulgam e as pessoas saem se sujando pelas ruas.
Eu acordei bem cedo e fui para o colégio. Toda vez que cantavam a música “Alô, alô, papai! Alô, mamãe!” meus olhos enchiam de lágrimas. Eu tinha medo de ter que adiar meu sonho. Mas agora só me restava esperar. E esperei. Quando o rádio começou a gritar os primeiros nomes, já fiquei nervosa. E nada se compara ao arrepio que senti crescer pela minha espinha quando escutei o locutor anunciar: “E agora, os nossos futuros colegas de profissão! Jornalismo matutino!”. Fechei meus olhos e pedi para Deus que eu passase.
E eu passei. E como eu chorei! Não acreditei que finalmente meu sonho tinha se realizado. Nesse dia, comemorei junto com muitas amigas e amigos queridos que também tinham alcançado seu objetivo. Vim pelas ruas completamente suja e descabelada rumo à minha casa, mas eu estava feliz. Todos me olhavam com um sorriso no rosto! Eu tinha, finalmente, realizado meu sonho.
O que eu só vim me dar conta no dia da palestra da Semana da Calouro é que meu sonho apenas começou. Agora, eu preciso trabalhar e estudar bastante para chegar à real concretização. E se me perguntassem, hoje, porque escolhi fazer jornalismo, eu responderia: porque o meu sonho é mudar o mundo!
Escrito por Nani Araújo 

